domingo, 8 de fevereiro de 2009

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Porque nao tenho religião



Por flaviosiqueira

Quem acompanha o blog, já deve ter percebido o quanto procuro me manter distante das religiões.
Na minha opinião o problema é conceitual a medida em que a proposta é de “religar” (religare), dando a entender que, o que precisa de religamento, está desligado.
Estamos todos desligados de Deus (ou o nome que quiser) e para que a conexão se restabeleça : a religião.
Cada uma propõe um caminho: Da abstinência ao dinheiro, dos sacramentos as leituras, da caridade aos mantras…São tecnicas,fórmulas, ensinamentos; os “7 passos para Deus”.
Com o passar do tempo, por conta de inúmeros excessos cometidos em milhares de anos, a palavra “religião” foi se desgastanto.
“Ciência”, “revelação”, “modo de vida”,”cultura” e assim por diante, indicavam que, se o nome mudou, o espírito continua o mesmo: “Junte-se a nós e conheça a verdade.”
Você sabia que a maioria das referências das principais religiões do mundo, não tinha a intenção de criar uma religião ?
Sim, de Jesus a Buda, a mensagem era outra.
Jesus falava sobre isso.
Dificil ouvir esse nome e não associá-lo imediatamente ao cristianismo, mas ele não era cristão ,católico ou evangelico.
Estranho que o nome que mais associamos a religião, foi, em seu tempo, um dos seus maiores opositores.
Quando encontrava os “pecadores” era cheio de compaixão a ponto de ser criticado pelos religiosos por “comer com prostitutas”, mas , quando encontrou com os que lucram com a fé, fez um chicote e os colocou para correr.
Ele falava sobre a Graça e a impossibilidade de, por méritos próprios, sermos reconhecidos por Deus simplesmente para que ninguém se orgulhe.
Ia a festas, sorria, chorava e lidava com gente.
Ensinou a agir com a consciência de quem sabe que seu caminho é fruto do que você escolhe ser, não por medo ou ameaças, mas por amor e inclusão.
Hoje é visto como ícone do cristianismo e da religião, de forma que, em seu nome, se comete toda sorte de absurdos.
Não foi isso que ele ensinou

Falava dos lirios dos campos que são cuidados sem nada fazer, dizia que seu reino não estava fora, mas dentro de cada um, não fazia apologia as igrejas pois deixou claro que “onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, alí estarei”, sem templos, culpas, penitências, sacrificios, mas o caminho sempre pela via da consciência, baseado no entendimento de que Deus, de fato, é amor.
E se é amor, dizia ele, não precisamos ter medo de Deus. É quando se desconstrói a imagem do Deus vingativo, vaidoso e mal, que impõe para aqueles que pensam e questionam a punição eterna.
Olhava para as crianças e as dava como exemplo, descomplexificando qualquer tentativa de teologizar o que simplesmente é.
Não precisamos dos rituais.
Seu poder não vinha do dinheiro e seu caminho era nas praças, ruas, praias…Falava com simplicidade.
Sua mensagem era a antítese do poder e luxo do vaticano ou da ganância de pastores da teologia da prosperidade.
Não pregava a pobreza, mas lembrava que a riqueza é perigosa.
Quando estimulado a usar influência política com a visibilidade que tinha, dizia que seu reino era no coração.
Apesar disso, ainda predomina o entendimento de que é preciso nos religarmos. Dificil explicar: apesar de ser o que somos, continuamos conectados.
É só olhar para dentro e perceber que, mesmo que ninguém nunca nos ensine nada disso, a percepção de que é assim vive em nosso coração e se manifesta sempre que temos acesso ao que é bom.
Os fios e cabos que nos conectam estão aí, nunca serão cortados, então seja honesto, procure agir com misericórdia e se baseie sempre na lei do amor.
Isso basta a medida em que tudo o que você fizer para se conectar, lhe garantirá no máximo efeito terapeutico, porque, de fato, não há o que fazer.
Se é assim, melhor descansar, sem culpas, caminhando no entendimento de que, não nos templos ou nas ONGS, mas no coração que permaneceremos enternamente conectados.
Sem neuras, sem fardos, em paz.

Marmota 'prevê' mais 6 semanas de inverno nos EUA


A marmota Punxsutawney Phil faz seu prognóstico anual em Gobbler's Knob, Punxsutawney, no estado norte-americano da Pensilvânia, nesta segunda (2). A região celebrou o 123º Dia da Marmota, que repete uma tradição germânica. (Foto: Reuters)

Phil fez seu 'prognóstico' anual na Pensilvânia.
Tradição em Punxsutawney já dura 123 anos.

A festa reuniu milhares de curiosos. Os locais acreditam que, se a marmota vir sua própria sombra ao amanhecer -como ocorreu neste 2009-, ela volta a hibernar, o que significa que o inverno vai durar mais seis semanas. Desde 1887, Phil viu sua sombra 97 vezes, não a viu 15, e não há registros para 9 anos. (Foto: Reuters)

[haha.. um "tosco massa"] Margitta & Ihre Tochter - mit Trompete



Alemão?

Quantas calorias uma pessoa queima com um jogo do Wii?


legenda: O Wii Sports torna divertidos os movimentos ativos. Algumas pessoas usam o Wii como programa de boa forma.

por Cristen Conger - traduzido por HowStuffWorks Brasil

Quando você joga o Wii Tennis, é difícil não mover o controlador com a mesma ferocidade que você usaria em uma quadra. Muitos jogadores experimentaram as dores musculares resultantes do jogo, em forma de uma "lesão de Wii" ou de controles remotos q­ue voam e se despedaçam contra as paredes. Na verdade, não é muito difícil suar ao jogar com o Nintendo Wii, especialmente se você estiver jogando o software de tênis ou boxe. E se você trocasse sua carteirinha de academia por um Wii? Será que veria resultados?

O programador de computadores Mickey DeLorenzo decidiu colocar a idéia em prática. Ele adotou um regime de exercícios Wii por seis semanas, começando em dezembro de 2006, e batizou o projeto como "Experiência Wii Sports". Acompanhando seus resultados online, DeLorenzo relatou que havia perdido quatro quilos e reduzido sua cintura em 7,5 centímetros ao integrar meia hora de atividades com o Wii à sua rotina diária - e isso sem dieta ou exercício adicionais. Durante as sessões de exercício, DeLorenzo enfatiza que golpeava o oponente ou a bola virtual, dependendo do jogo, com a maior força possível, a fim de maximizar seus resultados. De acordo com seus cálculos, que usam uma ferramenta de medição de calorias desenvolvida pela BioTrainer, ele queimava:

* 125 calorias em 15 minutos de boxe com o Wii
* 92 calorias em 15 minutos de tênis
* 77 calorias em 15 minutos de boliche
[fonte: Wiinintendo.net]

Um pequeno estudo - com 13 crianças - conduzido por um professor da Universidade John Moores, em Liverpool, no Reino Unido, em fevereiro de 2007, constatou que os participantes queimavam cerca de 150 calorias por hora de uso do wii [fonte: BBC (em inglês)]. Ainda que essa contagem de calorias fique abaixo da obtida por DeLorenzo, a diferença pode ser atribuída ao esforço consciente de DeLorenzo para amplificar seus movimentos. Mesmo assim, o estudo também destacou que, com um tempo médio de jogo de 12,2 horas semanais, as crianças queimariam um máximo de 1.830 calorias adicionais por semana.

Dados esses resultados, o Wii Fit, um jogo de exercícios físicos lançado nos Estados Unidos em 2008, representa uma promessa para as pessoas que desejam perder alguns quilinhos por meio do "exerjogo". O Wii Fit usa uma placa de balança que mede o peso e o índice de massa corpórea dos jogadores, e o controlador do Wii tem um pacote de jogos que se concentram em aeróbica, ioga, equilíbrio e condicionamento de músculos. Para aprender mais sobre o Wii Fit, leia Como funciona o Wii (em inglês).

Será que o exerjogo é a onda do futuro? As pessoas em breve trocarão suas tediosas esteiras rolantes por consoles do Wii? Vamos avaliar como se sai o Wii diante de outros jogos de atividade e diante de exercícios reais.

Videogame emagrece?



No Wii, jogo da Nintendo, o jogador se mexe como se fosse um atleta. E pode queimar as gordurinhas extras


Francine Lima

José luiz catapano se concentra e começa a luta. Os socos saem por cima, por baixo, pela lateral. Ele começa a transpirar. Em nove minutos, está ofegante e com uma leve dor muscular no braço direito. Imagine se o adversário não fosse virtual. Os videogames até agora eram apontados como um dos culpados pelo sedentarismo de crianças e adolescentes. Mas o Wii Sports, da Nintendo, vem chamando a atenção por fazer a moçada suar. Não dá para jogar parado. Para acionar seu controle simples, de poucos botões, não basta usar os dedos. O jogador tem de mexer os braços como se fosse o próprio boneco virtual na tela da TV. No game de boxe, é preciso dar golpes no ar. No de tênis, raquetadas. Quanto mais agilidade, força e precisão nos movimentos, maior a pontuação.

A pedido de ÉPOCA, o fisiologista Paulo Roberto Santos Silva, do Laboratório de Estudos do Movimento do Hospital das Clínicas, mediu o esforço de um fã de games enquanto ele jogava o Wii Sports. O desempenho de José Luiz é determinado por seu preparo físico (ele não pratica exercícios físicos regularmente) e por suas características: 28 anos, 1,78 metro de altura, 86 quilos. No Wii Boxe o resultado foi animador. O gasto calórico foi maior que o estimado para alguns esportes reais. Para ele, essa modalidade de jogo se mostrou viável para escapar ao sedentarismo e contribuir para a perda de peso. "Já tentei fazer caminhadas, mas no videogame eu agüento mais tempo porque é divertido", diz José Luiz. O Wii sozinho não vai emagrecer ninguém se a alimentação for inadequada. Mas ninguém pode acusá-lo de contribuir para a obesidade.

Olhar resultados no site.....

Negro e judeu ortodoxo, Y-Love faz rap sem fronteiras



FONTE

Artista norte-americano rima em inglês, hebraico, aramaico e árabe.
Em entrevista ao G1, ele fala sobre como é conciliar hip hop e sua fé.

Shin Oliva Suzuki - Do G1, em São Paulo (17/03/2008).

Cena: na cidade de Baltimore, nos EUA, um garoto negro de sete anos assiste a um comercial de TV sobre os festejos da Páscoa judaica. Como acontece freqüentemente com as crianças, o menino surpreende a mãe, de origem porto-riquenha e católica, com uma frase inusitada: "mamãe, eu quero ser judeu!". Mas a história não ficou só como uma anedota de guri para render risadas anos mais tarde. O garoto percorreria um longo e nada fácil caminho para se tornar um devoto judeu ortodoxo do ramo hassídico e ainda usaria um instrumento nada convencional, o hip hop, para apregoar a sua fé.

Yitzchak Jordan, o menino da história, hoje é o rapper Y-Love, que mistura batidas poderosas com versos em inglês, hebraico, árabe e até aramaico (aliás, a língua que Jesus Cristo falava, já que o papo é religião) e faz rimas do tipo "não vejo judeus balançarem assim desde o êxodo" (!) - mas também sobre união racial e reconciliação com os palestinos. Aos 29 anos, ele atualmente vive no bairro do Brooklin, em Nova York, e se prepara para lançar seu primeiro álbum, "This is Babylon" (Ouça faixas aqui).

Em entrevista ao G1, Y-Love fala de sua conversão, de como é ter sofrido preconceito tanto por parte de judeus quanto de negros e de sua visão sobre o Oriente Médio. E diz que tem vontade de passar pelo Brasil, como o seu amigo reggaeiro Matisyahu, outro judeu ortodoxo cantor. Confira a seguir:

G1 - Gostaria de perguntar sobre suas raízes. Como foi a sua criação e como você começou a ter contato com as tradições judaicas?
Y-Love - Eu nasci em Baltimore, que fica a uns 320 quilômetros de Nova York. Fui criado pela minha mãe, que era católica e tinha imagens de virgens e santos pela casa, mas ela nunca foi de ir muito à missa. O meu primeiro contato com o judaísmo foi um comercial de TV quando eu tinha sete anos e dizia: "Feliz Páscoa de seus amigos do canal 2". Cheguei para minha mãe e disse: "Mamãe, quero ser judeu" e eu comecei a desenhar estrelas de David a torto e a direito. As pessoas falam sobre uma batalha pessoal quando se trata de conversões religiosas, que procuram por respostas, mas eu tinha sete anos e nem sabia amarrar meus sapatos. Eu apenas sabia que havia um grupo de pessoas chamado judeus e eu queria ser um deles.

G1 - E como foi sua ida para Israel?
Y-Love - Na verdade eu fui para Israel depois da minha conversão. A partir dos meus 14 anos eu comecei usar alguns hábitos judaicos, a freqüentar cultos e a respeitar o shabat [descanso semanal dos judeus, do pôr-do-sol da sexta-feira ao pôr-do-sol do sábado]. Eu tinha 21 anos quando decidi me mudar para Nova York e iniciar o processo de conversão. Um dos rabinos da minha comunidade me disse que eu deveria viajar para Israel para aprender nas escolas religiosas. Então eu fui para lá, seis semanas depois da minha conversão.

G1 - O processo de conversão geralmente é muito difícil. Foi para você?
Y-Love - Durou 13 meses e é preciso muito, muito estudo. Se é difícil? Sim e não. Sim, porque é lei [o que está nos ensinamentos], porque praticamente muda o jeito de você viver. Em vez de você acordar e procurar algo para comer, você levanta, lava suas mãos e rezar antes de fazer qualquer coisa. Você precisa também memorizar muita coisa, aprender hebraico e o Talmud [conjunto de leis e costumes judaicos]. Mas mudar sua rotina é realmente a parte difícil.

G1 - As tradições judaicas estão muito ligadas ao verbo, a palavra falada. Como você relaciona ao rap.
Y-Love - Bom, eu comecei a fazer rap na escola religiosa. A gente sempre faz os estudos relacionados às tradições judaicas em pares, porque você não pode convencer a si mesmo sobre as respostas erradas. Então a gente usava hip hop para decorar as leis do Talmud. A gente fazia um freestyle [improvisação] como modo de memorização. Então, para mim, foi desse jeito que judaísmo e hip hop se uniram. No livro do Êxodo, está escrito quando Moisés separou as águas do Mar Vermelho e o povo atravessou, a primeira coisa que eles fizeram foi cantar uma música. Era uma expressão do que Deus fez, de ter salvado a vida.

G1 - Como é a recepção de seu trabalho na comunidade judaica, já que o que você faz é uma manifestação cultural moderna?
Y-Love - Varia muito. Quando eu comecei a minha carreira, eu tive muitos problemas porque o rap é considerado uma forma de arte distintivamente não-judaica. Então o desafio era como tornar algo não-judaico judaico? Para mim isso nem corresponde à realidade, já que os judeus têm feito rap desde o começo do gênero, exemplo os Beastie Boys [cujos três integrantes são judeus]. E agora há um movimento ainda mais conservador no judaísmo ortodoxo, para restringir as performances ao vivo de música. Há muita oposição por um lado. Mas, por outro, há muitos garotos e adolescentes [da comunidade] que adoram a minha música. E na minha música sobre festas, sobre estar em um clube, mas eu não falo sobre homens e mulheres fazendo qualquer coisa juntos. Mostro às pessoas que elas podem ser respeitar o judaísmo e se divertir como qualquer outra pessoa.

G1 - Você sofre algum tipo de preconceito da comunidade negra pelo fato de você ser judeu ortodoxo?
Y-Love - Quando você tem contato com negros que não são judeus - porque na verdade há muitos negros judeus - às vezes falam que eu estou tentando ser algo que na verdade eu não sou. Dizem que eu estou vivendo uma mentira. Isso justamente por causa de uma mentira que é afirmar que ser judeu é igual a ser branco. Mas também na comunidade judaica, até a minha conversão, eu tive que enfrentar muito racismo.

G1 - E como você lidou com isso?
Y-Love - Eu queria ser judeu a minha vida inteira. eu não ia deixar um grupo de racistas, que representa apenas 5% ou 10% de todas a comunidade, tirar isso de mim. É algo que significa muito para mim para simplesmente tomarem de mim. Claro que muitas vezes que eu chorei, mas com o passar dos anos meu rosto começou a se tornar familiar para as pessoas da comunidade judaica... Por outro lado, quando fui visitar os meus amigos em Baltimore, eles falavam: "Ei, o que aconteceu com você??".
G1 - No seu blog você faz críticas tanto ao [grupo palestino terrorista e político] Hamas quanto ao governo israelense. Qual é a sua visão do conflito no Oriente Médio?
Y-Love - É muito infeliz que as pessoas falem sobre fronteiras e nacionalismos enquanto tanta gente não tenha suas necessidades básicas atendidas. Quando os judeus tinham assentamentos na Faixa de Gaza, o desemprego era de 50%. Quando eles saíram, foi para 70%. O que o Hamas fez por essas pessoas? As pessoas dizem que não é possível haver desenvolvimento econômico na Palestina com ocupação israelense, mas, em 2006, em uma pesquisa na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, a população dizia que a corrupção do governo palestino era um problema pior do que a ocupação israelense. No lado do governo israelense, há os judeus que foram obrigados a sair durante a retirada israelense da faixa de Gaza, continuam vivendo em hotéis, dois anos depois. Eu vejo uma grande falta de atenção às necessidades básicas do cidadão médio.

G1 - Qual é a sua opinião sobre o rap de sucesso de hoje, que é criticado por falar de mulheres, dinheiro e armas?
Y-Love - Acho que a realidade do hip hop não tem nada a ver com isso. Essa é uma pequena parte. O que você vê na TV, um cara em um carrão alugado, ao lado de mulheres contratadas para o clipe, e o que acontece com essas pessoas quando a filmagem acaba? Voltam para a casa de metrô! Nos anos 80 e no começo dos 90 o hip hop tinha muitas mensagens. "Brenda's gotta a baby", de Tupac Shakur, falava sobre a decadência urbana, prostituição e gravidez adolescente em uma única música. Hoje o hip hop é criado e concebido para que as pessoas comprem o álbum. Para comprar.

G1 - Seu amigo Matisyahu esteve aqui no ano passado. Há alguma chance de você aparecer aqui?
Y-Love - O Brasil ficou marcado como uma nova Índia, né? Em termos de crescimento econômico e desenvolvimento no cenário mundial. Bom eu espero ter a chance de aparecer bastante em breve. Adoraria me apresentar no país.

Usando barba e distintivo Policial hassid vive dois mundos em Nova Iorque



Por: Jim Fitzgerald

A Academia Municipal de Policia de Rockland, em Nova Iorque jamais havia visto algo semelhante.
Um rapaz entra usando um chapéu de abas largas, uma barba e um casaco que desce até os seus joelhos. Diz o xerife James Kralik: "Ele parece alguma coisa como que saída de 'O Violinista no Telhado'".
Era Shlomo Koenig, agora comissário Shlomo Koenig, talvez o único oficial de polícia hassid1 na nação.
" Até mesmo em Israel não há nada parecido”, diz Koenig com sua barba ruiva e os cachos laterais de cabelos sobressaindo sob seu chapéu de amplas bordas.
Koenig, 35 anos, que administra um negócio que produz sacolas plásticas para compras bolsas, foi durante muito tempo um elo de ligação não oficial entre o departamento do xerife e a crescente, mas isolada comunidade judaica ortodoxa de Rockland. Ele ajudou a traduzir para o iídiche ou explicou as normas e obrigações de cidadania de um grupo para o outro.
Por exemplo, um motorista que abandona o seu carro à margem da Rodovia 59 e começa a caminhar à pé pode parecer suspeito a um policial. Mas pode ser também um judeu ortodoxo chegando tarde em casa, numa sexta-feira, quando é proibido dirigir após o pôr-do-sol.
Ou ainda um oficial poderia sentir-se ofendido se uma mulher hassid recusar-se a aceitar o talão de multa por excesso de velocidade passado à mão dela. É que tal contato entre os sexos é proibido, e assim os oficiais agora colocam o talão sobre o capô do carro para que a motorista então possa apanhá-lo.
Treze por cento da população de 275.000 pessoas que vivem no município são judeus ortodoxos, incluindo hassidim e outras correntes ultra-ortodoxas, e esse percentual está crescendo por causa das altas taxas de natalidade e está se concentrando nas imediações do Brooklyn, distante uma hora de carro do local.
Os judeus ortodoxos de Rockland até certo ponto vivem fora do mundo moderno. Eles não enviam suas crianças para as escolas públicas, evitam televisão, usam roupas escuras e simples, como aquelas usadas pelos seus antepassados no século 18 na Polônia, e eles construíram suas próprias vilas, longe das cidades maiores.
Há desconfiança entre a polícia e os hasidim
" Nós viemos de países onde o governo não era nosso amigo, não trabalhava com a comunidade, mas contra ela", diz Koenig nascido americano. "A forma que encontramos para nos sustentarmos era viver o nosso próprio pequeno mundo".
Como o xerife Kralik coloca: "Na maioria dos países em que viveram, os policiais queimavam suas casas. Eles não têm nenhuma razão para confiar em nós".
Foi por sugestão do xerife que Koenig ingressou na Academia de Polícia. Ele teve 600 horas de treinamento, graduou-se no ano passado com boas notas e agora veste o uniforme de cor bronze e usa a estrela prateada da força policial de Rockland, que tem aproximadamente 65 oficiais em tempo integral e muitos outros de meio período, como Koenig.
" Ele teve muita coragem", disse o xerife Kralik. "E realmente mostrou algum interesse, estava em sua vocação, o que é admirável".
Na academia, certos arranjos tiveram que ser feitos. Aulas aos sábados estavam fora de cogitação para Koenig por causa do Shabat judaico. Alguns dos recrutas companheiros dele compartilhavam com ele suas anotações em sala de aula.
Então havia a barba. Barbas são proibidas pelo departamento. Não havendo nenhuma proibição para judeus hassidim, o sr. Koenig obteve uma permissão.
Ele também ganhou um prêmio de tiro ao alvo. Carregar uma arma não apresenta nenhum problema ético para Koenig. Quanto a usá-la, diz ele: "Você não tem permissão para matar, mas autodefesa não é assassinato."
Como comissário, Koenig ajudou a elaborar guias para os oficiais de sua mesma categoria para lidar com a comunidade judaica ortodoxa. Obter uma descrição de um assaltante, por exemplo, pode ser difícil se a vítima não estiver familiarizada com roupas seculares.
Uma testemunha poderia dizer que o assaltante usava calças azuis, mas se perguntada se elas eram calças de jeans azuis, "há chances de você receber um sim, mesmo que haja 99 por cento de chance que a pessoa realmente não saiba o que são calças jeans", diz Koenig.
" Eles dizem que sim porque as pessoas em geral não querem ser pegas como não entendendo as coisas".
" Assim, tentamos sugerir um folheto com descrições-tipo explicando o que são calças jeans, slaks, calças compridas comuns, moda e estilos de cabelo”.
Surge então o problema do idioma. Muitos dos judeus hassidim de Rockland não falam bem o inglês e poucos oficiais de polícia falam o iídiche.
Koenig está reunindo uma coleção de frases úteis:
" Vas is dan numen (Qual o seu nome)?"
“Is ales in ordernung (Está tudo bem com você)?"
“ Vi azoi hot er oizgesen (Como ele se parece)?"
Koenig diz que de certo modo, seu trabalho é parte da religião dele — uma "mitzvá", ou boa ação.
" Primeiro, eu sou judeu; segundo, um oficial de polícia", ele diz. "Ainda tento viver no meu próprio e pequeno mundo. Tento fazer meus estudos, minhas orações, a educação religiosa das minhas crianças. Mas também tento ser um xerife. Tenho que ser capaz de trabalhar com a sociedade. E eu tento fazer isso.

1. Hassid (singular), hassidim (plural), seguidor(es) da corrente religiosa ortodoxa judaica do hassidismo, movimento fundado no século XVIII pelo Baal Shem Tov (Mestre do Bom Nome), e que tem entre outras características a filosofia, pelo pensamento sobre o mistério da vida; a mística, representada pela dimensão de maior profundidade existencial na vida religiosa; e a oração como exercício espiritual e como forma de meditação contemplativa.

* Jim Fitzgerald é jornalista e escreve para a agência Associated Press.